Crime sem violência?

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(Rafaela Felicciano/Metrópoles)

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que faz a defesa de “notáveis” e também do ex-deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), reagiu ontem de forma pueril, mas que para quem sabe do caso pode ser considerada irônica, à negativa da terceira tentativa de obter a prisão domiciliar para seu cliente, pela Terceira Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF).
Maluf, além de ter perdido o mandato de deputado federal, está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde o dia 22 de dezembro do ano passado, por determinação do ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme decisão da Primeira Turma da Corte, onde cumpre pena de sete anos, nove meses e dez dias por lavagem de dinheiro na construção da avenida Água Espraiada (hoje Avenida Jornalista Roberto Marinho), na capital paulista, quando foi prefeito da cidade pela segunda vez, no período 1993/1996.
Kakay questionou em nota à imprensa“Qual a necessidade desta prisão? Qual o sentido de manter em regime fechado, um idoso de 86 anos com doenças gravíssimas por um crime, sem violência, cometido há 20 anos?”, informando ainda que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), para que Maluf passe para prisão domiciliar.
Quer dizer, caro advogado, que você não considera violência passar décadas e mais décadas, como muitos políticos fazem, roubando dos cofres públicos valores que engordam suas contas bancárias e ampliam vergonhosa e descaradamente seu patrimônio, que depois passam para os herdeiros?
Que não considera violência, ficar impune quanto aos crimes praticados, enquanto brasileiros morrem por falta de atendimento de saúde, justamente porque os recursos para tanto são amealhados por esses ladrões de colarinho branco e velhas raposas da política (?) brasileira?
Que não considera violência, usar do dinheiro roubado do povo para se contratar caros serviços advocatícios, como os seus custam, para se defender dos “assaltos” praticados aos cofres públicos?
Muitos da estirpe de Maluf – que praticou vários surrupios do Erário, mas que por recorrer anos a fio prescreveram – também precisam ser presos, porque não passam de ladrões, disfarçados de parlamentares que usam do cargo para benefício próprio.
E que agora, na velhice, depois de ter usufruído nababescamente dos roubos, alegam estarem adoentados para responder pelos crimes cometidos.
Cadeia para essa corja infame, que infelicita a maioria dos brasileiros que dá duro de sol-a-sol, para sustentar essa safadeza toda!


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