Esquema no Detran tinha quatro núcleos de atuação

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Esquema era organizadíssimo
(BaixadaCuiabana)

O esquema da organização criminosa que atuava no Detran do Estado, descoberto pelas operação Bereré e Bônus, era administrado de forma altamente profissional e envolvia a participação de 41 pessoas, dentre elas nove deputados, espalhadas por quatro núcleos – liderança, operação, subalterno e autônomo, conforme apuraram as investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso.
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), os deputados estaduais Mauro Savi (PSB); Eduardo Botelho (DEM), presidente da Assembleia Legislativa; o ex-deputado federal Pedro Henry (PP); o ex-governador Silval Barbosa; o ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Moreira Lopes (Dóia) e o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Cesar Zamar Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB), formavam o núcleo de liderança, que era o principal dos quatro.
O esquema vinha desde o governo de Blairo Maggi (PP) – hoje senador licenciado e ministro Agricultura, Pecuária e Abastecimento – e utilizava modelos de atuação semelhantes. Na gestão atual de Pedro Taques, atuaram apenas Mauro Savi e Paulo Taques. Eles eram responsáveis pela formulação e aprovação dos esquemas para recebimento de propinas relativas ao Detran-MT, que envolvia a EIG Mercados.
Núcleos e atuação
No núcleo de operação, faziam parte Antônio da Cunha Barbosa Filho (irmão de Silval Barbosa), Marcelo da Costa e Silva (sócio da Santos Treinamentos), Antônio Eduardo da Costa e Silva (irmão de Marcelo), Claudemir Pereira dos Santos (assessor de Mauro Savi), Sílvio Cezar Correa Araújo (ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa), Roque Anildo Reinheimer (sócio da Santos Treinamentos), Pedro Jorge Zamar Taques (irmão de Paulo Taques), Valter José Kobori (ex-executivo da EIG Mercados), Rafael Yamada Torres, Dauton Luiz Santos Vasconcellos, Merison Marcos Amaro, Hugo Pereira de Lucena, José Henrique Ferreira Gonçalves e José Ferreira Gonçalves Neto (proprietário da FDL Serviços).
A atuação do núcleo de operação consistia em operacionalizar os esquemas de obtenção da propina, assim como garantir a sua implementação, pelo núcleo de liderança. Segundo o MPE, eles seriam responsáveis por “materializar a vontade da liderança, tomando as medidas necessárias para que os esquemas de corrupção realizados, bem como atuam direta ou indiretamente a fim de esconder a atividade dos líderes a quem são vinculados, inclusive, para atos de lavagem de dinheiro, o que fazem seja em razão de sua vinculação a algum dos líderes, seja porque também obtêm lucro com as vantagens ilícitas, obtidas pelo grupo”.
No núcleo subalterno, faziam parte o ex-deputado estadual até 2014, João Antônio Cuiabano Malheiros (PR), além dos deputados estaduais Wilson Santos e Baiano Filho (PSDB); Nininho e  José Domingos Fraga (PSD); e Romoaldo Júnior (MDB). Neste grupo, também atuavam Jurandir da Silva Vieira, empresário e investigado na Operação Ararath, Tschales Franciel Tscha, assessor do deputado Nininho e investigado na Operação Convescote, além da Procuradora do Estado Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva, esposa de Marcelo da Costa e Silva e sobrinha de João Malheiros.
Eles exerciam funções de menor complexidade, segundo o MPE, porém “vitais ao funcionamento da organização criminosa”. De acordo com o inquérito, eles realizavam atividades meramente executivas de auxílio ao desenvolvimento dos esquemas de obtenção de propina.
“Eles são responsáveis por fazer fluir o dinheiro relacionado às vantagens ilícitas obtidas pela organização criminosa, sendo os destinatários primários da propina que tem a incumbência de movimentar o dinheiro, seja para que ele chegue aos destinatários finais, seja para esconder a sua origem ilícita. Além disso, os integrantes deste núcleo ocupantes de mandato de Deputado Estadual recebem parcela das vantagens ilícitas angariadas pelo organismo criminoso para deixarem de exercer sua função parlamentar de fiscalização dos contratos fraudulentos, oriundos dos esquemas ilícitos, operados dentro do DETRAN/MT”, diz o inquérito.
O quarto núcleo, o “núcleo autônomo”, era o responsável pelo esquema de propina e seria administrado por 18 pessoas, entre eles o filho de Mauro Savi, Marcelo Savi, e a esposa de Pedro Henry, Ivanilda Santos Henry. De acordo com o inquérito, estas pessoas não integravam a organização criminosa, mas contribuíam “para as atividades dela, especialmente para atos de lavagem de dinheiro”.
O inquérito resultou na operação “Bônus”, segunda fase da Operação Bereré, deflagrada na quarta-feira da semana passada, que prendeu os primos do governador Pedro Taques, Paulo Taques (ex-Chefe da Casa Civil) e Pedro Jorge Zamar Taques, o deputado estadual Mauro Savi (PSB), os sócios da Santos Treinamento, Claudemir Pereira dos Santos e Roque Anildo Reinheimer, além do ex-CEO da EIG Mercados, Valter José Kobori.
Da Redação com Folhamax

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