Justiça decreta prisão do ex-delegado da PF Protógenes Queiroz

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Protógenes Queiroz “ousou” prender os “poderosos”
(Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

A Justiça Federal de São Paulo decretou na sexta-feira (31) a prisão do ex-delegado da Polícia Federal (PF) e ex-deputado federal Protógenes Queiroz. Membro do PCdoB entre 2009 e 2016, o ex-parlamentar foi condenado em 2014, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por violação de sigilo funcional, por suposto vazamento de informações para a imprensa. Segundo o processo, Protógenes revelou informações sigilosas sobre prisões do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do banqueiro Daniel Dantas, na época em que chefiou as investigações da Operação Satiagraha.
Ausência
Responsável pelo decreto de prisão, a juíza Andréia Moruzzi, da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, alegou que Protógenes não esteve presente a audiências que determinariam os termos de cumprimento de sua pena em regime aberto – também em 2014, o ex-delegado foi condenado pelo STF a dois anos e seis meses de prisão, pena que foi convertida em prestação de serviços comunitários.
Nos termos da decisão, a ausência de Protógenes em três audiências consecutivas provocou a regressão da pena, agravando sua condenação para regime fechado. A juíza Andréia destacou que a defesa do ex-deputado comunista não justificou o não comparecimento em juízo.
Asilo político
Em meio aos desdobramentos do processo, o ex-deputado viajou para Suíça e lá permanece até hoje, sob a alegação de que está na condição de asilado político no país europeu. O advogado Adib Andouni, responsável pela defesa de Protógenes, alegou que a concessão do documento de asilo político implicou a retenção de seu passaporte pelo governo suíço.
Adib acrescenta que Protógenes é vítima de perseguição política e corre riscos caso retorne ao Brasil. “Com a perda do cargo de delegado, ele não pode andar armado. Um delegado que combatia o crime, é uma pessoa pública, vem sendo perseguido e recebendo diversas ameaças”, explicou o advogado.
Ex-ícone
Com a Satiagraha, Protógenes havia sido alçado à condição de símbolo da luta contra a corrupção no Brasil. Em 2008, após ter sido afastado do comando da Operação Satiagraha, o então delegado da Polícia Federal afirmou que, àquela época, seus colegas de corporação evitavam participar de missões com elevada carga de complexidade, com receio de sofrer represálias. “Não querem mexer com peixe graúdo. Definitivamente, não”, admite Protógenes.
“Hoje paira um estado de letargia, um estado de desconfiança no seio da classe da Polícia Federal”, revela o delegado em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.
Esquema
Coordenada por Protógenes, a Satiagraha investigou um bilionário esquema de crimes financeiros. Entre os presos na operação, que foram soltos por determinação judicial, estão o banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. “Já ouvi vários relatos de colegas dentro da PF falando que hoje eles estão apenas na condição de servidor público federal, de quererem cumprir apenas o horário preestabelecido para desenvolver sua atividade, sem se envolver em nenhum ato complexo que venha a causar algum prejuízo profissional para si próprio e para sua família, a exemplo do que ocorreu comigo”, afirmou o delegado, que teve seu próprio apartamento vasculhado por policiais após ser afastado do comando da Satiagraha.
Protógenes Queiroz foi um dos mais atuantes e valorosos delegados da Polícia Federal, que passou a sofrer represálias desde que – usando das prerrogativas do cargo e cumprindo a determinação da lei – “peitou” os corruptos poderosos que existem no Brasil.
Assim como ele, outros policiais federais também devem ter passado por maus momentos, sob a ameaça de retaliação, por parte daqueles que não “admitem” que seus crimes venham a público e mostrem quem na realidade, eles são.
Enquanto Protógenes é tratado como bandido, os corruptos que a Operação Satiagraha prendeu estão soltos. 

O povo brasileiro deve dar total apoio à Polícia Federal, para que ladrões e bandidos protegidos pela impunidade dos cargos e dos títulos de “autoridade e excelência” –  que tiveram total liberdade de cometer os delitos que bem quiseram – sejam colocados no lugar que merecem estar!
Com Congresso em Foco

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